Trecho de Desolada - 2



"Dakota  saiu de seu quarto silenciosamente e foi caminhando pelas pontas dos pés descalços até o quarto de seus pais. Abriu a porta silenciosamente e viu que os dois estavam dormindo um sono profundo. Sentiu-se aliviada e retornou a seu quarto para trocar de roupa.
Ela pôs um vestidinho de renda azul anil rodado nas pontas com um pouco de brilho nas laterais e uma sapatilha nude. Pegou sua carteira de festa e saiu sigilosamente pela porta dos fundos.
Dakota mal assobiou e encontrou Rodrigo dando-lhe um susto. Tampando sua boca por trás de si. Ela apavorou-se, mas depois percebeu que brincadeira infantil assim tratava-se de seu melhor amigo baderneiro.
- Seu imbecil! O que acha que está fazendo – indagou Dakota.
- Ah gata! Foi só uma brincadeira – riu debochadamente de Dakota ao ver o seu rosto pálido de medo.
-Sem graça! – Dakota deu uma bolsada em Rodrigo e disse – Vamos logo, antes que eu desista."
***

Alguns minutos depois Dakota se encontrava na porta de uma casa lotada de gente. Ela tentou entrar empurrando-os com os ombros, estavam bêbados, drogados e suados. Um garoto passou correndo em sua frente e derramou cerveja em Dakota. Ela logo questionou:
- Droga! Seu retardado! Você não está me vendo aqui? – O rapaz voltou a olhar para ela e disse:
- O que é que isso gatinha, desculpa aí.
- Você sabe quanto custou este vestido seu pobretão? Ah! Claro que não, seus pais provavelmente não têm dinheiro nem para lhe dar cuecas novas. – Debateu-a com ódio.
 - Gatinha cheia de marra. Tá achando que é quem sua patricinha de merda? Deixa você ficar sozinha, que eu te pego de jeito e faço você ficar mansinha como uma gatinha sem dono – ameaçou-a o rapaz estranho.
Rodrigo, por sua vez, viu o grupinho que começava a se aglomerar e chegou perto para ver. Percebendo que provavelmente Dakota poderia ter começado com a briga, resolveu interromper a briga:
- Pare com isso Leandro! Você está chapado cara, já fez o que tinha que fazer, né? Agora dá um fora daqui antes que eu te encha de porrada.
Dakota corou e protestou mesmo com medo daquele rapaz desconhecido. Ele parecia ser capaz de tudo mesmo, mais ainda chapado.
- Ro, pare! Deixe ele para lá. Mostre-me o banheiro para que eu possa tentar limpar alguma coisa aqui, se é que conseguirei.
Rodrigo ainda encarando o rapaz, segurou na mão de Dakota e seguiu escada acima.
Leandro era um rapaz parrudo, todos diziam que ele só era daqueles que sabiam ameaçar; porém ninguém queria pagar para ver sua verdadeira reação.
Depois que Dakota terminou de limpar o vestido, Rodrigo trouxe para ela uma bebida sem álcool. Dakota sorriu para ele, pois mesmo ele insistindo em leva-la para o mal caminho, no fundo Dakota sabia que ela é quem era a verdadeira ameaça para seu querido amigo.
- Ro, leva-me para casa por favor. – Pediu Dakota, muito tensa com o que acontecera.
- Mas Dakotinha, você acabou de chegar!! – Rodrigo fez uma cara decoitado tentando convence-la a ficar.
- Sei lá. Alguma coisa me diz que eu não deveria estar aqui.
- Para com essa paranoia Dakota!
- É sério Rodrigo, estou angustiada muito antes desse seu amiguinho derramar cerveja em meu caro vestido.
- Ele não é meu amigo. E você o provocou dizendo aqueles coisas feias.
- A é? E você estava lá para ver o que aconteceu?
- Não, mas as fofocas correm, e o que estão dizendo por aí é bem típico de você gatinha.
- Aff... Vai me leva para casa, não quero continuar aqui, por favor, por favor, por favor. – Dakota implorou com charme, sabendo que Rodrigo jamais iria dizer não a ela.

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