Primeiro Capítulo do livro: A Princesa Corsária

Primeiro Capítulo do meu livro "A Princesa Corsária", espero que gostem!!!



A Princesa Corsária
Inglaterra, França e Ilha de Rocher, 1810

Capítulo I

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Londres, Primeiros Dias de Março de 1810...
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     Hendrick Mallory, sétimo Duque de Darchester, foi acordado pouco antes das seis da manhã de repente. Seu mordomo apareceu dizendo que um mensageiro que trabalhava nos prédios do governo em Whitehall precisava lhe falar de imediato e assim como estava acostumado com situações como aquelas, Hendrick levantou da cama de um salto e nem mesmo requereu os serviços de seu valete para atendê-lo, dada a necessidade do momento.
     Agora devidamente lavado e vestido, desceu para descobrir tudo e encarando o mensageiro que estava o esperando no escritório fazia alguns minutos, depois que o Homem realizou a reverência, lhe entregou uma missiva e Hendrick vendo o inconfundível selo com o sinal de seu superior no Almirantado, soube de antemão que a situação era de emergência realmente. O próprio mensageiro parecia bastante alarmado e quando Hendrick lhe perguntou se estava passando Mau, o Homem não soube responder com exatidão, o deixando mais intrigado ainda.
     Percebendo que o Homem nem mesmo deveria ter tomado um desjejum decente, Hendrick foi educado em lhe perguntar se não gostaria de beber e comer algo na cozinha para começar o Dia, porém o Homem estava com tanta pressa, que declinou a oferta e se retirou dizendo que deveria retornar depois de entregar a mensagem.
     Intrigado com aquilo, Hendrick pegou um punhal para abrir missivas e quebrou o lacre para descobrir seu conteúdo. Depois de ler tudo, descobriu que estava sendo convocado para uma reunião urgente às sete horas em ponto.
     Apesar do mistério, um peso a mais no ar pareceu apontar que Hendrick estava em Maus lençóis. Não que tivesse feito algo de errado, isso não. Só que considerado um dos Melhores Oficiais da Marinha Britânica e além de tudo, sobrinho do venerado falecido Almirante Horatio Nelson, primeiro Visconde Nelson e primeiro Duque de Bronté, seu sexto sentido lhe garantiu que ganharia uma grande tarefa em pouquíssimas horas.
     Mesmo Hendrick detestando comparecer aos eventos sociais que o próximo mês promovia, sabia que tinha obrigações a cumprir no Almirantado cedo ou tarde e depois de descansar da última missão em que esteve antes, se encontrava em Londres com os outros Nobres que chegavam para a Abertura Oficial da Temporada e rezando para que o chamassem logo para algum serviço. Assim a mensagem urgente de seus superiores o deixava quase exultante.
     Porém, por enquanto ainda que não prestando serviço naqueles Dias, uma reunião oficial exigia uma vestimenta adequada e dessa maneira subiu para se preparar Melhor, dessa vez ajudado pelo seu valete e quando finalmente estava pronto, ficou satisfeito com a aparência ao se mirar no espelho, porque nenhum Homem aos trinta-e-sete Anos possuía aquela compleição de robustez sadia que mantinha com os longos Anos de treinamento na Marinha Real Britânica.
     A maioria dos dândis de seu período gastava tempo e saúde com coisas que Hendrick pensava não valer a pena, como Mulheres demais, bebidas demais e extravagâncias demais, isso liderados pelo Príncipe de Gales, a quem alguns chamavam de Prinny na intimidade.
     Não que Hendrick tivesse algo contra Prinny, isso não. Prinny era espirituoso e afável a sua maneira, porém quando não estava de serviço, Hendrick preferia se manter no sossego de sua Família, cuidando do casal de Filhos que teve com a falecida Esposa Caroline, morta há doze Anos e por quem ainda se mantinha devotadamente fiel, não pensando em colocar outra no lugar, isso até seus parentes se tornarem dispostos a obrigá-lo em contrair Matrimônio com a Prima Lady Ebonnie Nelson, cedo ou tarde. Ebonnie era filha de Horatio Nelson, de seu casamento mal-sucedido.
     Depois que Caroline morreu, Hendrick se afundou na ocupação que tinha na Marinha Britânica e aquilo que alguns chamariam de "vício do trabalho", na verdade era camuflagem para não enlouquecer de saudade.
     A saudade por Caroline às vezes era tamanha, que Hendrick enfrentava os Inimigos em Batalha com ardor bastante para que fosse morto. Porém, Deus parecia não querê-lo próximo de Caroline por enquanto e sua ousadia terminava numa condecoração por bravura ou elevação de patente, isso deixava Hendrick tão possesso, que chegou a considerar que Deus estava brincando com Ele.
     Fosse como fosse, sua desenvoltura resultou num corpo atlético que fazia inveja para muitos Homens de seu tempo enquanto esbanjava vitalidade por todos os poros, deixando algumas pessoas que não o conhecessem pensar que nunca foi ferido em Batalha ou nunca caiu doente por motivo de enfermidade. Ledo engano, porque o lado esquerdo de seu rosto salientava tudo e mesmo assim não lesava muito sua Beleza. Mas isso é uma História que Hendrick não gostava de comentar.
     Seus cabelos negros e seus olhos cinzentos como o aço, de estatura elevadíssima, unidos ao seu corpo musculoso e Bem-desenhado, que parecia oferecer um sem-limite de Prazeres desconhecidos para a felizarda que conseguisse fazer aquele Coração de gelo derreter pela segunda vez, eram capazes de deixar diversas Mulheres suspirando por Ele durante uma Noite inteira...
     Como a reunião estava marcada para às sete da manhã, depois de um desjejum apropriado, Hendrick saiu de sua Casa na Park Lane em Mayfair, construída somente do lado leste e com o outro lado aberto ao Hyde Park, com tempo suficiente para chegar no Almirantado.
     Assim quando a carruagem parou diante do Almirantado, o Belíssimo Homem esperou seu cavalariço abrir a porta da carruagem e descendo com rapidez, encarou a arquitetura um pouco sombria do lugar, de estilo quase simples, Bem ao contrário dos modelos em voga do término do século XVIII ao princípio do século XIX, um complexo de prédios projetado e construído por Thomas Ripley, um carpinteiro protegido por Sir Robert Walpole, considerado o primeiro Primeiro-Ministro Inglês.
     A única coisa que parecia dar um pouquinho mais de destaque ao complexo de prédios, seria a representação de um arco ligado por colunas laterais de ambos os lados e adicionado na frente da entrada do conjunto de edifícios em 1788 pelo renomado Robert Adam, arquiteto do século XVIII.
     Mas agora que Hendrick estava para descobrir seu Destino, uma dúvida pairou dentro de seu Coração: Será que conseguiria cumprir aquilo que lhe pediriam?
     Só que de qualquer maneira, ainda que pudesse fugir de sua missão, Hendrick não faria isso pelo simples motivo de ser sobrinho do Homem que salvou a Inglaterra de ser invadida por Napoleón Bonaparte no passado e como tal estava disposto a se comportar. Mesmo que isso lhe custasse a Vida, como tinha custado a Vida de Nelson.
     Então depois de respirar fundo, Hendrick deu os primeiros passos rumo ao interior do Almirantado...
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2 comentários

  1. Mana, que isso? Está muito lindo seu texto. Eu quero mais... :D Adorei. ♥

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  2. Que conto mais alucinante Mandy.Realmente me deparei com um escritora de primeiro mundo.
    Estou deveras emocionado com tamanha inspiração.Parabéns menina,continue a sua obra que será um Best Seller.

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