Trecho do Prólogo: Desolada

 

França, Império Russo, 1914 – início da Guerra Mundial


Paola estava sentada avistando o túmulo de sua avó com um terço de oração em sua mão. Ela ficava quase todos os dias ali, depois que o estrondo da Guerra foi declarado. Ela tinha medo, muito medo dentro de si. Acreditava que, orando o tempo todo e pedindo a sua avó para que intercedesse por todos os vivos, algum milagre aconteceria.

Sua família era muito pobre, de origem muito humilde. Paola não acreditava que tudo poderia terminar por causa da ganancia dos homens, sobretudo suas maldades e falta de amor uns para com os outros. Ela tinha cabelos ruivos levemente cacheados nas pontas, pele branca com sarnas bem leves e olhos azuis celestes, o que dava um ar angelical a ela. Não era de se admirar sua aparência, combinava com sua linda e bondosa alma. Também típico de sua família conhecida como os “Galeones”, esse era o sobrenome de Paola, era a única coisa da qual motivava a sua existência em meio à miséria, queria honrar o seu nome, mantê-lo limpo.

Parada ali, ela começou a chorar, silenciosamente, sussurrando, “por favor, não deixe que isso aconteça”... Ela temia perder todos que amava, ela temia a morte e a terrível dor que poderia sentir se sobrevivesse ao holocausto sozinha.

O medo a invadiu como um pânico exageradamente forte, sua respiração começou a ficar acelerada de acordo com o ritmo de seus batimentos cardíacos, até o momento em que ela ouviu uma voz vinda por trás de si.

- Não tenha medo!

Paola ficou mais ainda tensa, todos os nervos de seu corpo parecia enrijecido; achou que poderia ser um dos soldados malvados que havia atacado alguns de seus vizinhos em sua pequena cidade.

-Fique longe! – Gritou ela pronta para golpear o infeliz com um pedaço de madeira que havia levado consigo para a sua defesa.

Quando Paola virou seu corpo para golpear tal inimigo, uma luz forte a jogou para longe, assim atingindo a lápide de sua vó, deixando-a meio inconsciente. Ela defendeu seus olhos com as suas mãos tentando entender o que era aquilo; ainda com sua visão embaçada, Paola tentava fazer um grande esforço para ajustar as suas vistas aquela luz poderosa. Quando finalmente conseguiu enxergar, viu um brilho e asas de anjos pairando um pouco mais de um palmo sobre a terra, flutuando, de braços estendidos com toda a glória que um ser celeste poderia ter. Sua beleza era indescritível, só alguém que realmente tivesse visto antes poderia partilhar com sua fabulosa experiência vivida por um milagre na terra. Paola maravilhou-se com a grande beleza que aquele ser carregava. E teve certeza de que estava vendo um anjo.




- É um milagre? A guerra acabou? Você fará a guerra acabar? – Perguntou eufórica, prostrando-se diante de sua glória.



-Não! O destino da guerra não sou eu quem decide. Ela ainda persistirá, ainda permanecerá por algum tempo. Você perderá a sua família, mas estará a salvo comigo. Eu estarei lhe protegendo – disse o anjo misterioso.



-Não, não pode deixar minha família morrer, é tudo o que tenho. Se eu as perder, para quê vou querer sobreviver? – perguntou eufórica.



- Para ser o recomeço. A salvação de uma nova nação. Para todo o bem existe um sacrifício. Você precisa escolher estar ao meu lado, eu a ajudarei a cumprir sua missão.



-Missão? O que devo fazer? Que destino devo salvar? – Paola ficava cada vez mais angustiada com tudo o que o anjo lhe dissera.



- Venha até mim, que eu lhe mostrarei – disse o anjo em tom persuasivo.



Ela se levantou e caminhou lentamente em direção ao anjo, e a cada passo que dava, sentia-se em total harmonia com o mundo e a pessoa mais feliz dentro dele.

O anjo tocou em sua face e olhou dentro dos olhos de Paola, foi um encontro de duas luzes, de duas cores iguais em total harmonia. Paola sentiu seu coração transbordar, sentiu-se dominada pelo poder daquele anjo. O sentimento de paixão avassalador era incontrolável, indescritível. O anjo a abraçou com força, Paola sentiu o seu calor irradiar por todo o seu corpo, uma grande onda de pequenas partículas de energia brotava sobre todo o corpo de Paola.



- Venha, seja minha! – o anjo a convidou para se deitar com ele.



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1 comentários

  1. Obrigada maninha por ter postado os trechos de Desolada. Muito feliz... :D Te amo demais! ♥

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