Capítulo 3 - A Princesa Corsária



Capítulo III

     Já era de madrugada e Hendrick não conseguia dormir, mesmo havendo sido acordado Bem-cedo por causa da reunião no Almirantado. Quando saiu, seus Filhos ainda estavam dormindo e apenas desceram às nove horas para o desjejum. Foi complicado Hendrick explicar para Lady Arilla Mallory e o Marquês Dane de Rowell que precisava sair em missão inesperadamente, que seria preciso deixa-los sozinhos em Londres para a Temporada com Lady Elisabeth Mallory, uma Tia tagarela de Hendrick e Mãe da Bonita Lady Ebonnie Nelson. Era verdade que prometeu estar presente na primeira Temporada de ambos em Londres, mas terminaram entendendo.
     O próprio Hendrick sentia bastante o fato de não acompanhar seus Filhos num momento tão interessante de suas Vidas, mas tinha ordens a cumprir. Agora estava sentado na poltrona de sua biblioteca analisando a situação enquanto segurava um copo de brandy na mão e deixava seu olhar vaguear pela lareira acesa. Apesar de ser o começo da primavera, havia Noites em que o clima esfriava e precisavam acender as lareiras, obrigando Hendrick a procurar algo mais que calor naquelas brasas.
     Como sentia falta de Caroline... Em momentos como aqueles, era o refúgio que Hendrick sempre buscava e ainda que saísse em missão, sabia que a encontraria no mesmo lugar de antes, esperando ansiosa pelo seu retorno. Agora Caroline estava morta e Hendrick sentindo o Coração apertado. Não queria falhar naquela missão, não podia falhar. Precisava impedir que Napoleón triunfasse no seu plano insano de tentar invadir a Inglaterra pela segunda vez, para que seus Filhos tivessem segurança. Apenas em ambos Hendrick se concentrava, mas de repente seu pensamento recaiu sobre Ebonnie...
     Ebonnie sempre lhe deixou claro o quanto gostava dele e aos vinte e dois Anos, apenas não se casou devido continuar tendo a esperança de Hendrick vê-la com outros olhos algum Dia. Isso por mais que Hendrick nunca tenha lhe dado falsas esperanças. Ele também gostava de Ebonnie, mas como sua Prima querida, um Sentimento que Ela rezava que mudasse para Amor. Entretanto, será que num momento de solidão como aqueles, não seria Melhor reconsiderar a situação?
     Nos próximos Dias sairia de Portsmouth comandando aquela missão e Hendrick rezava para que tudo corresse Bem. Cada detalhe deveria ser exato. O tempo corria e determinados pontos já estavam programados, mas havia uma preocupação. Seus superiores lhe disseram que da mesma maneira que os agentes Ingleses pareciam estar trabalhando Bem em descobrir alguns segredos importantes como aqueles, a preocupação era que os espiões de Napoleón também sabiam agir.
     O Ministério temia que algum deles estivesse infiltrado no próprio Gabinete e terminasse descobrindo todo o plano da missão de Hendrick antes do tempo, colocando algum risco nisso. Era um fato que os preocupava muito. Napoleón havia ganhado diversas Batalhas com a ajuda desses espiões e portanto não deviam desprezar a astúcia do Inimigo. Muito menos em se tratando de Napoleón realmente. Tanto que pouco antes de sair da reunião, ainda que sabendo que Hendrick nunca comentaria com ninguém o que conversaram, Spencer o lembrou pela segunda vez que tudo o que foi conversado ali deveria ser mantido no mais absoluto segredo.
     E assim enquanto Hendrick torcia para que nenhum maldito espião de Napoleón atrapalhasse sua missão-vital, também esperava que seu sexto-sentido lhe revelasse qual a estratégia que os Rousseaus usariam para enfrenta-lo diretamente. Mais que nunca precisava dessa visão e implorava para Deus que aquela resposta viesse depressa, antes que fosse tarde demais...
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Portsmouth, Alguns Dias Depois...
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     Portsmouth está localizado no Condado de Hampshire, na costa sulina da Inglaterra. Existiam alguns pontos interessantes no lugar, como a fortificação de madeira que ficava na ponta do porto construída por Henry V e reconstruída em pedra por Henry VIII, que mandou erguer o Castelo Southsea também. Além de manterem uma doca seca no Porto, o lugar era considerado uma importante base naval usada pela Marinha Real Britânica. Havia sido daqui que Nelson deixou a Inglaterra para a Batalha de Trafalgar, para não-mais retornar vivo. O fato deixou Hendrick perturbado por segundos. Apesar disso, Nelson cumpriu sua missão e agora Hendrick precisava cumprir a dele, ainda que necessitasse dispor da própria Vida da mesma maneira.
     O pensamento de Hendrick estava ligado naquela consideração enquanto o navio HMS Sea-Dragon, ao comando de sua bandeira, saía do porto lentamente. Hendrick havia dado algumas ordens antes e agora contemplava do passadiço sua Esquadra ganhar mar aberto, rumo à obrigação de proteger a Inglaterra custasse o que custasse. Rumo a um Destino desconhecido. Não estava com medo exatamente, porém num momento foi rezar na Igreja de São Thomas de Canterbury, erguida em torno de 1180 pelos cônegos Agostinianos do Priorado de Southwick na Terra que John de Gisors lhes concedeu. Esteve na missa e pediu que Deus o abençoasse naquela missão-vital. Queria que aquele coro de Anjos que cantavam na sua cabeça estivesse dizendo Amém.
     Apesar de tamanho cuidado, Hendrick pressentiu que naquela altura os Inimigos já descobriram que estava saindo em missão. Esperava que a primeira estratégia aconselhada pelos seus superiores desse certo. Para adequar outros pontos acerca do encargo de Hendrick, houve uma segunda reunião em que estiveram presentes o Secretário de Estado Para Guerra e As Colônias, Robert Banks Jenkinson, segundo Conde de Liverpool, isso juntamente com o Secretário de Estado Para Assuntos Estrangeiros, Richard Wellesley, primeiro Marquês Wellesley, um Irmão de Arthur Wellesley, primeiro Visconde de Wellington, que estava comandando um regimento contra as tropas de Napoleón na Península Ibérica naquele momento.
     Nessa segunda reunião, além de serem tratadas que medidas preventivas tomariam caso Hendrick malograsse na missão, depois de algumas discussões e debates, ficou estabelecida que determinação inicial adotariam. A ordem seria que Hendrick permanecesse fazendo vigilância constante no Canal da Mancha com parte da Esquadra de vinte e nove navios que comandasse, com o resto dos navios vindo se unir a Força Naval quando seus Superiores tivessem a certeza absoluta da iminência do ataque dos Rousseaus ou quando Hendrick mandasse uma mensagem em tempo para que viessem finalmente, além disso seus subalternos tinham ordens de obedece-lo em tudo, em qualquer movimento estranho tinha carta branca para operar como quisesse. Com a Ilha de Rocher envolvida naquela passagem, possuindo uma localização estratégica entre a Inglaterra e a França, o mínimo sinal de estranheza oferecia um perigo Bem-maior.
     "O que não entendo é que mesmo Rocher vigiada Dia e Noite pelos nossos navios, essa Ilha conseguiu reconstruir parte de sua Esquadra que vai assessorar Napoleón na tentativa de invadir a Inglaterra pela segunda vez e tudo Bem debaixo dos nossos narizes praticamente, o que vem provar ser proeza desses dois Irmãos Rousseaus, devo reconhecer", Hendrick considerou também.
     O dado indicava que a situação era ameaçadora realmente. Qualquer passo em falso e cairiam nas garras de Napoleón. E aquilo era algo que Hendrick deveria evitar a todo custo. Assim como não poderia usar da mesma tática de Nelson contra os Franceses, tinha que inventar algo novo, algo que surpreendesse seus Inimigos. Por isso, Hendrick colocou seu cérebro para funcionar, ainda mais sabendo que o Inimigo estava oculto pela metade agora, precisando descobrir daonde partiria o primeiro ataque, porém nenhum pressentimento lhe bateu, por enquanto...
     Só que depois de alguns momentos, o pensamento de Hendrick recaiu sobre sua Prima Ebonnie. Terá sido uma atitude ponderada tomá-la como Noiva antes de partir da Inglaterra finalmente? Naquela madrugada em que esteve meditando na biblioteca, a solidão que sentiu havia sido tão intensa, que decidiu aceitar Ebonnie. Mesmo sentindo que não a amava, pensava que se dariam Bem um com o outro. Ebonnie era tudo que um Homem poderia esperar numa Mulher e sabia que seria uma excelente Esposa. Porém, como Hendrick considerou antes, não a amava. Não como amou Caroline, a Mulher que adorou com loucura, quase idolatria. E isso deixou Hendrick perturbado. Nunca foi Homem de travar atitudes impulsivas, contudo tendo dado sua palavra de Honra à mãe de Ebonnie, não poderia voltar atrás também.
     A única atitude prudente de sua parte havia sido dissuadir Ebonnie de casarem antes de sua partida, porque Hendrick não queria deixa-la viúva se não voltasse vivo. Era ruim imaginar que deixaria Ebonnie naquela condição depois do Casamento, tudo apesar de saber que a jovem choraria pelo seu passamento de qualquer maneira. Se tivesse considerado essa possibilidade, teria proposto Casamento depois do retorno. Porém, com sorte convenceu Ebonnie que deveriam manter aquele compromisso em segredo por enquanto, para não comentarem com ninguém e que a divulgação do Noivado nos jornais aconteceria quando regressasse para a Inglaterra. Ebonnie apenas aceitou as condições por temer que Hendrick mudasse de opinião, mesmo quando a desculpa seria que pretendia lhe dar a oportunidade de aproveitar um Noivado e um Casamento tradicional que qualquer Mulher tinha chance de possuir.
     Mas Hendrick não mudaria de opinião nunca. Era um Cavalheiro e se comportaria como tal, ainda que estivesse reconsiderando alguns pontos de sua atitude precipitada agora. Talvez fosse Melhor se casar com Ebonnie realmente, uma Boa-moça que lhe proporcionaria Amor, outros Filhos e uma nova Família. Isso seria o que Hendrick mais precisava no momento e rezava para que voltasse vivo para cumprir sua intenção.
     O mais curioso nisso havia sido que a própria Caroline percebeu que quando Ebonnie era criança, dava demonstração de Amor um pouco mais intenso por Hendrick, mesmo que não passasse de uma menina no período. Apesar de Hendrick estranhar o comentário de Caroline e não gostar nem um pouco da piada que Ela lançou sobre algum Dia morrer, Ele poderia se casar com Ebonnie caso quisesse, lembrou disso agora. Assim, se não tivesse sido a própria Caroline quem lhe implorou pouco depois de cair doente, que tentasse ser feliz com outra Mulher depois que morresse, talvez Hendrick não tivesse feito aquela proposta para Ebonnie...
     Durante Anos relutou em colocar outra Mulher no lugar de Caroline, mas a falta de uma presença feminina estava ficando tão pesada, que não-mais conseguia carregar sozinho, precisava de companhia. Com isso resolveu aceitar o Amor que Ebonnie vinha lhe oferecendo finalmente e implorava para Deus para que tivesse tomado a decisão adequada. Porque senão sairiam magoadas duas pessoas naquele caos completo.
     Mas mesmo repensando sobre tudo aquilo, Hendrick sorriu diante da alegria que Ebonnie sentiu ao pedi-la em Casamento. A surpresa tinha sido tão grandiosa, que Ebonnie se lançou no seu pescoço e para espanto de Hendrick, lhe tascou um beijo apaixonadíssimo. Por mais que nunca ficasse Bem uma donzela se comportar daquela maneira impulsiva, até que Hendrick gostou, tinha que reconhecer...
     Depois que o espanto inicial passou, ambos conversaram sobre suas dúvidas e aspirações posteriores. Ebonnie era engraçada e inteligente, mas às vezes parecia insegura com relação do Amor de Hendrick pela sua pessoa. Isso porque em determinado ponto da conversa, chegou a comentar que as pessoas declaravam que Hendrick gostava de Mulheres louras como Caroline e como Ebonnie era morena, temia que Hendrick terminasse a abandonando logo. Apesar dele considerar aquilo um disparate no começo, não conseguiu controlar uma Boa-risada ao garantir para Ebonnie que caso fosse verdade, não teria a pedido em Casamento então.
     Só que agora ao rememorar o espantoso comentário de Ebonnie sobre apreciar Melhor as louras, o interior de Hendrick teve que concordar em metade com aquilo. No entanto se estava empenhado com a doce donzela que sempre o amou com devoção, casaria com Ebonnie querendo ou não querendo, o resto poderia se reparar com o tempo, Hendrick esperava.
     E foi com esse pensamento que depois de dar uma última olhada para Portsmouth, que já ficava cada vez mais longe das vistas Humanas, resolveu começar a dar as primeiras ordens de sua missão...

4 comentários

  1. Mana, estou simplesmente apaixonada pelo seu livro. Tanto que tive que por esses trechos de degustação por você lá no meu bloguito... Estamos juntas nessa. Seremos um sucesso pela santa graça do Nosso Senhor... =D

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  2. OI quero ler o seu livro!!! vc me deixou com "pulgas" atras da orelha!!!
    por favor comenta nesse post:
    http://resenhasteen.blogspot.com.br/2013/03/ossos.html#comment-form
    Bjs me segue eu sigo de volta é so deixar o link.

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  3. Vou seguir, amada, pode deixar!!! Obrigada pela visita!!!

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  4. Como lhe falei,você escreve com uma propriedade de um escritor que já milita pelas estradas da literatura,com Best-Sellers pela vida afora.Estou impressionado com os seus detalhes que convém a todos escritor que se prese. Mandy,não contentarei com apenas estes capítulos.Quero vê-los todos condensados em um livro sobre as minhas mãos.Felicidades neste futuro que lhe reserva grandes conquistas minha menina!

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